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TAI CHI CHUAN

Taiji Quan ou tai chi chuan [tai chi chuã][1] (em chinês: 太極拳; em pinyin, Tàijí quán) é uma arte marcial chinesa interna (neijia, 內家), parcialmente baseada no bagua(em Pinyin, bā guà, 八卦).

Este estilo de arte marcial é reconhecido também como uma forma de meditação em movimento.

Os princípios filosóficos do taiji Quan remetem ao taoismo e à alquimia chinesa.

A relação de yin e yang, os cinco elementos, o ba gua (Oito Trigramas), o Livro das Mutações (Yi Jing) e o Dao De Jing de Lao Zi são algumas das principais referências para a compreensão de seus fundamentos.

Os textos clássicos do Taiji Quan escritos pelos mestres orientam a:

  • Vencer o movimento através da quietude (Yi Jing Zhi Dong) 以靜制動

  • Vencer a dureza através da suavidade (Yi Rou Ke Gang) 以柔克剛

  • Vencer o rápido através do lento (Yi Man Sheng Kuai) 以慢勝快

O taiji quan tem suas raízes na China, sendo, atualmente, uma arte praticada no mundo todo. É apreciado no ocidente especialmente por sua relação com a meditação(dao yin) e com a promoção da saúde, oferecendo, aos que vivem nas grandes cidades, uma referência de tranquilidade e equilíbrio.

 

Yang Chengfu na postura do taiji conhecida como "chicote" (tan pien), c. 1918.

Os criadores do taiji quan basearam sua arte na observação da natureza - não apenas na observação dos animais, mas também no estudo dos princípios da interação entre os diversos elementos naturais.

Como somos parte desta natureza, o conhecimento destes princípios e de como atuam dentro de nós, estudado pela medicina tradicional chinesa, revela o tai chi como uma fonte efetiva de energia que encontra-se em nosso interior, situada na região do corpo nomeada pelos chineses de dantian médio.

A história do taiji quan é considerada sempre sob dois aspectos: o lendário e o historicamente comprovado. Esses dois aspectos não se excluem necessariamente para a maioria dos professores propagadores dessa arte.

O aspecto lendário é, geralmente, encarado como uma metáfora para indicar o desenvolvimento dos princípios do taiji quan através da figura do daoista imortal Chang San Feng.

Historicamente comprovado, o criador do taiji quan foi Chen Wangting.

Existem indicações de que, durante a Dinastia Tang (618-906 d.C.), um eremita chamado Xu Xuan Ping desenvolveu uma arte chamada "os trinta e sete estilos do taiji", também chamada de chang chuan (punho longo) ou chang kiang (rio longo).

Por volta da mesma época, um monge daoista chamado Li Dao Zi praticava uma arte denominada "punho longo primordial", semelhante aos trinta e sete estilos do taiji.

Muitas das posturas dessas duas artes têm nomes semelhantes aos das atuais posturas do taiji quan.

O texto Guan Jing Wu Hui Fa (Método para se Alcançar o Esclarecimento Através da Observação da Escritura), escrito por Cheng Ling Xi na época da Dinastia Liang (907-923 d.C.), no período das cinco dinastias e dos dez reinos, é o documento mais antigo já encontrado a usar o termo taiji quan. Cheng Ling Xi foi discípulo de Han Gong Yue, que lhe ensinou sua arte, chamada "Os catorze estilos do treinamento do taiji".

Chang San Feng (1247-?), que então vivia num templo daoista nas Montanhas Wudang, já teria desenvolvido uma arte conhecida como "Os trinta e dois estilos do punho longo de Wudang" e, posteriormente, criou "As treze posturas do taiji", após observar uma luta entre um pássaro (grou) e uma cobra, quando constatou que a flexibilidade se sobrepunha à rigidez, compreendendo a prática da alternância entre o yin e o yang e outras concepções da natureza, que se constituem na base do que depois passou a ser chamado de taiji quan.

O sucessor de Chang Sangfeng foi o também monge taoista Taiyi Zhenren, que, no final da dinastia Ming, difundiu a arte entre os discípulos do monte Wudang. Entre esses discípulos, encontrava-se outro monge de nome Ma Yun Cheng.

Ma Yun Cheng transmitiu a arte para vários discípulos célebres, entre eles Mi Deng Xia e Guo Ji Yuan, popularmente conhecidos como "os dois santos", e Wang Zhong Yue, que denominou essa arte de Wudang taiji quan e escreveu o "Tratado de Taiji Quan", um dos Clássicos do taiji quan.

Wang Zhong Yue transmitiu o taiji quan ao famoso mestre Zhang Song Xi, que, depois, o ensinou a Dan Si Nan, que veio a ter, como discípulo, Wang Zheng Nan, que se referia à arte de Wudang como uma arte interior, distinta das artes de Shaolin, que ele chamava de arte exterior.

Segundo os historiadores Tang Hao e Gui Liuxin, seguindo a origem a partir do fato histórico de que Yang Luchan aprendeu com Chen Changxing (1771-1853) do vilarejo de Chenjiagou, o taiji quan foi criado por Chen Wangting (1600-1680) na passagem da dinastia Ming para a dinastia Qing. Esta é a versão considerada oficial pelo governo chinês .

É preciso atenção na sutileza da interpretação chinesa, pois no taiji (também transliterado como taich'i), esse "ji" ou "ch'i" não é o mesmo "qi" (sopro, energia vital, ar), que o kung fu (arte marcial chinesa) bem explora, assim como o qigong (ou chi kung). O ideograma para esse "qi" (气) não é o mesmo do "ji" (极).

O pano de fundo de ambos os termos pode ser afim, apontando para um sentido praticamente comum, mas o ji tem direção mais filosófica, quase taoista, com sentido de supremacia. Assim, o taiji teria um significado como sendo um conhecimento de "primeira grandeza", dando ideia de "grande" e "supremo" (mais ao pé da letra).

Já o Qi do Qigong é uma técnica de fortalecimento interno nas artes marciais chinesas, específico para o fortalecimento interno do praticante.

A semelhança dos sons aos ouvidos ocidentais, é verdade, colabora para a mistura dos termos. Mas, no pensamento tradicional chinês, são termos distantes com relação à prática marcial e, principalmente, quanto ao conteúdo doutrinário.

São cinco os estilos de taiji quan reconhecidos como tradicionais pela comunidade internacional: cada um deles recebeu o nome da família chinesa que o criou, desenvolveu e transmitiu. Todos têm a mesma essência e seguem os mesmos princípios básicos, diferindo apenas na forma. Por ordem cronológica, temos:

Ordenados por sua popularidade, considerando o número de praticantes, teríamos: Yang, Wu, Chen, Sun e Wu/Hao.

Atualmente, encontramos referências a diversos outros estilos. Alguns deles são estilos híbridos ou derivados desses cinco estilos tradicionais. Outros alegam ter sido praticados em segredo dentro de outras famílias ou em monastérios a partir das referências milenares taoistas que teriam dado origem a esta prática, tornando-se de conhecimento aberto ao público há menos tempo. Entre estes exemplos, se inclui o estilo Wudang, realizado ainda hoje nos templos da montanha de Wudang (não confundir com o estilo contemporâneo que tomou para si o nome de Taiji Quan de Wudang).

Há também o que poderíamos chamar de taiji quan estilo de Pequim, composto por formas (tao lupadronizadas pelo governo chinês através do Comitê Nacional de Esportes da China, desenvolvidas exclusivamente para fins terapêuticos e esportivos. Hoje em dia, é muito popular não apenas na China mas em todo o mundo.